Art by Owen Gent. Existe uma crueldade silenciosa que muitas vezes praticamos contra nós mesmos: julgar nossa versão do passado com os conhecimentos e maturidade que possuímos hoje. O adulto que você é agora olha para trás e encontra uma longa lista de decisões, omissões, escolhas equivocadas, medos, silêncios e situações que gostaria de ter enfrentado de outro modo. Nisso, surgem vários "eu deveria" em um tribunal interno permanente: "Eu deveria ter reagido", "Eu deveria ter percebido", "Eu deveria ter ido embora", "Eu deveria ter me defendido". A grande questão é: como poderíamos saber naquela época aquilo que só aprendemos depois de atravessar tudo o que atravessamos? Nossa versão do passado não tinha acesso aos recursos emocionais, intelectuais e afetivos que construímos ao longo dos anos. Ela fazia o melhor que conseguia com as ferramentas disponíveis naquele momento. É aí que o perdão começa. A criança que você foi não tinha as r...